Pele hidratada no verão: os cuidados que fazem realmente a diferença
No verão, a pele fica exposta a vários fatores que podem alterar o seu equilíbrio: temperaturas mais elevadas, transpiração, exposição solar, ar condicionado, água do mar e cloro das piscinas.
Embora algumas peles se tornem aparentemente mais oleosas, isso não significa necessariamente que estejam bem hidratadas. É possível existir produção excessiva de sebo e, ao mesmo tempo, falta de água nas camadas superficiais da pele. Noutras pessoas, surgem sensação de repuxamento, desconforto, sensibilidade ou um aspeto mais baço.
Por isso, cuidar da pele no verão não passa apenas por aplicar um creme. Envolve hidratação interna, cuidados adequados com a barreira cutânea, proteção solar e uma boa defesa antioxidante.
A hidratação começa por dentro
Nos dias mais quentes, perdemos mais água através da transpiração. Beber líquidos regularmente ajuda a manter o equilíbrio do organismo, sobretudo durante a prática de exercício físico ou em períodos de maior exposição ao calor.
A água deve ser a principal fonte de hidratação, mas também podemos obtê-la através de alimentos como fruta, legumes, sopas frias e outras preparações ricas em água.
Ainda assim, beber mais água não transforma automaticamente uma pele seca numa pele profundamente hidratada. A hidratação interna é essencial para o funcionamento do organismo, mas a capacidade da pele para conservar água também depende do estado da sua barreira cutânea e dos cuidados aplicados diretamente sobre ela.
Mais do que procurar uma quantidade rígida que sirva para todas as pessoas, é importante beber ao longo do dia e adaptar a ingestão à temperatura, à atividade física e às necessidades individuais.
Hidratação externa e barreira cutânea
A barreira cutânea é a camada mais superficial da pele. Funciona como uma estrutura protetora, ajudando a limitar a perda de água e a reduzir a entrada de substâncias potencialmente irritantes.
Quando está fragilizada, a pele pode tornar-se mais sensível, áspera ou desconfortável. Também pode apresentar descamação, vermelhidão ou sensação de repuxamento.
No verão, muitas pessoas abandonam completamente o hidratante por acharem que a pele já produz oleosidade suficiente. No entanto, oleosidade e hidratação não são a mesma coisa.
O ideal é escolher uma textura adaptada à pele:
- géis ou emulsões leves para quem prefere um acabamento fresco;
- cremes mais confortáveis para peles secas ou sensibilizadas;
- fórmulas sem ingredientes excessivamente agressivos quando a barreira está fragilizada.
Ingredientes humectantes ajudam a atrair e conservar água, enquanto componentes emolientes e oclusivos contribuem para reduzir a perda de água. Não é necessário conhecer toda a química do produto, mas é importante que a fórmula seja confortável, bem tolerada e adequada ao estado atual da pele.
Uma rotina demasiado agressiva, com esfoliação frequente, limpeza excessiva ou vários ativos em simultâneo, pode prejudicar mais do que ajudar.
O papel dos antioxidantes
A exposição à radiação ultravioleta, à poluição e a outros fatores ambientais favorece a formação de espécies reativas, habitualmente conhecidas como radicais livres.
Quando produzidas em excesso, estas moléculas contribuem para o chamado stress oxidativo, que está envolvido na degradação de componentes da pele e no envelhecimento cutâneo provocado pela exposição ambiental.
Os antioxidantes ajudam o organismo e a pele a neutralizar parte destas moléculas. Entre os ingredientes mais conhecidos encontram-se a vitamina C, a vitamina E, os carotenoides e vários polifenóis.
A vitamina C, por exemplo, participa na síntese de colagénio e na defesa antioxidante da pele. Em produtos tópicos, pode complementar a proteção contra o stress oxidativo, embora o resultado dependa da estabilidade da fórmula, da concentração, da forma química utilizada e da tolerância individual.
Isso não significa que todas as pessoas precisem de usar vários séruns antioxidantes ao mesmo tempo. Uma fórmula bem escolhida, usada com regularidade, é geralmente mais útil do que uma rotina muito extensa e difícil de manter.
Também é importante recordar que um antioxidante aplicado de manhã não substitui o protetor solar. Atua como complemento de uma rotina de proteção, não como alternativa.
Antioxidantes também através da alimentação
Uma alimentação variada fornece vitaminas, minerais e compostos antioxidantes importantes para o funcionamento do organismo.
Fruta, legumes, azeite, frutos secos, leguminosas e outros alimentos de origem vegetal fornecem diferentes antioxidantes, sem que seja necessário depender exclusivamente de suplementos.
Uma alimentação equilibrada oferece ainda proteína, ácidos gordos e micronutrientes que participam na renovação dos tecidos e na manutenção da pele. Por isso, quando se fala em beleza ou prevenção do envelhecimento cutâneo, é pouco realista procurar um único ingrediente milagroso.
O aspeto e o equilíbrio da pele resultam de vários fatores: genética, idade, exposição solar acumulada, alimentação, sono, tabaco, rotina cosmética e estado geral de saúde.
E os suplementos orais?
Alguns suplementos com carotenoides, polifenóis, astaxantina ou outros compostos antioxidantes têm sido estudados pelo seu possível contributo para a hidratação, elasticidade ou resistência da pele ao dano provocado pela radiação ultravioleta. Existem resultados interessantes, mas a qualidade e a consistência da evidência variam de acordo com o ingrediente, a dose e a população estudada.
Por esse motivo, a suplementação pode ser considerada um apoio complementar em situações selecionadas, mas não deve ser apresentada como obrigatória nem adequada para todas as pessoas.
Antes de iniciar um suplemento, é aconselhável avaliar:
- se existe uma necessidade real;
- a alimentação habitual;
- os medicamentos utilizados;
- eventuais doenças ou condições clínicas;
- a qualidade e a dosagem do produto.
Mesmo suplementos vendidos sem receita podem provocar efeitos indesejáveis ou interagir com medicamentos. Doses elevadas de alguns antioxidantes podem, por exemplo, interferir com certos tratamentos oncológicos, e a vitamina E pode aumentar o risco de hemorragia em pessoas que tomam anticoagulantes ou antiagregantes.
Assim, o mais responsável é procurar aconselhamento médico, farmacêutico ou de um nutricionista antes de começar a suplementação, especialmente quando existem doenças, gravidez, amamentação ou medicação regular.
E há um princípio que não deve ser esquecido: nenhum suplemento oral substitui a aplicação de protetor solar.
A proteção solar continua a ser o cuidado essencial
A prevenção do envelhecimento cutâneo provocado pelo sol começa, antes de tudo, com a proteção diária contra a radiação ultravioleta.
Deve escolher-se um protetor solar de amplo espectro, resistente à água e com um fator de proteção adequado. A Academia Americana de Dermatologia recomenda FPS 30 ou superior, aplicado nas zonas expostas e reaplicado aproximadamente a cada duas horas quando estamos no exterior, bem como depois de nadar ou transpirar.
A proteção deve ser complementada com sombra, chapéu, óculos de sol e roupa adequada, sobretudo nas horas de maior intensidade solar.
Aplicar protetor apenas de manhã e assumir que dura o dia inteiro é um erro frequente. A quantidade aplicada, a transpiração, o contacto com a água e o atrito reduzem a proteção ao longo do tempo.
Uma rotina simples para o verão
De manhã:
- Limpeza suave, se necessária;
- Antioxidante bem tolerado, caso faça parte da rotina;
- Hidratante adaptado à pele;
- Protetor solar.
Ao final do dia:
- Remoção do protetor solar, maquilhagem e impurezas;
- Limpeza suave;
- Hidratante ou cuidado reparador adaptado às necessidades da pele.
Uma ou duas vezes por semana, podem ser introduzidos cuidados complementares, desde que a pele os tolere. No entanto, esfoliar excessivamente uma pele sensibilizada pelo sol pode aumentar o desconforto e comprometer a barreira cutânea.
Quando um cuidado profissional pode ajudar
Mesmo com uma boa rotina diária, há momentos em que a pele parece mais desidratada, desconfortável ou sem luminosidade.
Um tratamento profissional de hidratação pode complementar os cuidados realizados em casa, através de um protocolo adaptado ao estado da pele naquele momento. O objetivo não é substituir o hidratante, a alimentação ou a proteção solar, mas proporcionar um cuidado mais direcionado e ajudar a recuperar conforto e suavidade.
A prevenção do envelhecimento cutâneo não começa quando aparecem as primeiras rugas. Começa muito antes, nos gestos repetidos diariamente: proteger do sol, preservar a barreira cutânea, manter uma alimentação equilibrada, hidratar o organismo e escolher produtos que a pele consegue tolerar.
Cuidar bem da pele não exige necessariamente uma rotina extensa. Exige consistência, escolhas adequadas e atenção às suas necessidades reais.
Na Bem Estar, os cuidados faciais são adaptados ao estado e às necessidades de cada pele. Para saber mais sobre o tratamento de hidratação profunda, fale connosco.
Aline Ferreira – Diretora técnica da Bem Estar — Centro de Massagens e Estética Avançada
